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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Força Bruta


Infelizmente, no nosso mercado e na maioria das relações comerciais, predomina a lei do "manda quem pode, obedece quem tem juízo"

Pois bem. Tínhamos até ontem no nosso site uma carta enviada pela Abrablin - Associação Brasileira de Blindagens (www.abrablin.com.br) a todas as concessionárias de carros, alertando contra o risco de se contratar uma blindagem insuficiente, especificamente em relação à "nova" blindagem "para a classe média" lançada pela DuPont (R)(TM)(Todos os direitos reservados)(Salve Salve Amém): o Armura (R)(TM)(Todos os direitos reservados)(Salve Salve Amém)..


Semana passada me chega uma notificação extra-judicial da DuPont (R)(TM)(Todos os direitos reservados)(Salve Salve Amém) reclamando sobre o nosso "uso indevido" da sua marca Armura (R)(TM)(Todos os direitos reservados)(Salve Salve Amém).

Segundo nosso advogado, era preciso remover o comunicado da Abrablin do nosso site e, desta forma, deixar de contribuir com informação para aquelas pessoas que estão considerando blindar seus veículos.

Removi.

Mas copio de novo aqui. Se eles pedirem novamente, eu tiro. Mas enquanto isso, espero poder continuar informando o máximo de pessoas possível.


São Paulo, 22 de Outubro de 2008

ABB-397/2008

À

Concessionária

Att: Presidência ou Diretoria Comercial

Prezados Senhores,

A Associação Brasileira de Blindagens (ABRABLIN/ANDB) – considerando o conhecimento que obteve do projeto "Sistema de Blindagem ****** *********" – vem, por meio desta, manifestar sua preocupação quanto a implementação do mesmo, pois esta poderá oferecer sérios riscos ao mercado de blindagem no Brasil.

Assim, com a autoridade que esta Associação possui – em função de seu trabalho, conhecimento e dedicação ao mercado de produtos e serviços de blindagem destinados à proteção da integridade física e patrimonial da coletividade – e não desejando ser omissa ou conivente com qualquer ação que possa ameaçar a segurança dos usuários e a perenidade do mercado de produtos de proteção blindados, explicita abaixo, suas considerações sobre os principais pontos preocupantes deste Projeto.

Nas apresentações e publicidades que estão sendo realizadas, a ******* dá a entender que desenvolveu um projeto inovador, com "solução tecnológica revolucionária", e que, com isto, pode oferecer uma proteção mais leve, mais barata e que protege o usuário contra 97% das ameaças.

É importante que fique bem claro e esclarecido que, na verdade, o que a DuPont está oferecendo com este projeto "********" é uma proteção balística do Nível I (Norma ABNT NBR 15000), que:

1) não tem nada de inovação tecnológica, pois de longa data esta blindagem é perfeitamente conhecida do mercado;

2) ela é mais leve apenas pelo simples fato de proteger muito menos (são três níveis de proteção de diferença) que a blindagem balística Nível III-A, usada atualmente nas grandes metrópoles;

3) oferece proteção apenas contra agressões realizadas por armas de calibres .22 e .38, em condições bastante específicas de munição (ponta de chumbo);

4) é uma inverdade ameaçadora e até certo ponto irresponsável informar ao usuário que ele está protegido contra 97% das ameaças; primeiro, por estar baseada em informação, no mínimo, de credibilidade discutível; e, em segundo lugar, porque é sábido deste mercado que a as ameaças ocorrem, em sua maioria, com armas de calibres superiores ao .22 e .38;

5) a assertiva acima tem como base as pesquisas realizadas entre as empresas blindadoras avaliadas por esta Associação, que demonstram que aproximadamente 70% dos atentados a veículos de passeio blindados ocorreram com armas de calibres superiores ao .38.

Considere-se ainda, pela sua extrema importância, que, mesmo que fosse explicado corretamente aos usuários as reais condições de proteção dessa blindagem, ela ainda assim seria totalmente inadequada, uma vez que não cabe ao usuário – quando confrontado com a arma que o ameaça – observar, analisar e constatar se a mesma é de um calibre inferior ao . 22 e .38 (Ponta de Chumbo).

Portanto, é de fácil compreensão que qualquer agressão com armas de calibres superiores ao especificado pelo Nível I acarretaria perfurações a esta blindagem, podendo incorrer até mesmo na morte do seu ocupante. O que seria extremamente lamentável e prejudicaria de modo irreversível a indústria de blindagem brasileira como um todo.

A Associação Brasileira de Blindagem entende que, com estes esclarecimentos, está cumprindo seu papel junto ao mercado e a sociedade em geral. E espera que os Senhores Concessionários, após conhecê-los, possam tomar com responsabilidade e sabedoria suas decisões sobre participar ou não, da implementação do referido projeto.

Sem mais, agradecemos a atenção de V.S. e informamos que outras considerações sobre o assunto encontram-se a disposição de todos, no "site" desta Associação ou pelo "email" abrablin@abrablin.com.br.

Atenciosamente,

Alexandre Ret

Presidente da Câmara de Blindadores

Christian Conde Antonio

Presidente da ABRABLIN

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Indústria da Proteção

Durante estes anos na indústria de blindagem, cheguei a dar várias entrevistas sobre o assunto, tanto no Brasil como em outros países. E fatalmente um repórter me saía com essa: “Como você se sente lucrando com a violência?”

A interpretação é que nós, as empresas de blindagem, assim como as empresas de vigilantes, proteção executiva e etc fazemos parte da INDÚSTRIA DA VIOLÊNCIA.

Mais uma vez, permitam-me discordar.

A violência infelizmente está aí. Ela existe. É inerente ao ser humano. O que varia é o nível e a freqüência em que atos violentos ocorrem. Na Suiça, de vez em quando a gente ouve de um ou outro maluco que entra numa escola ou centro comercial e esfaqueia alguém. Aqui no Brasil, 100 pessoas morrem por dia vítimas da violência. E não é “privilégio” nosso não. Todos os grandes centros urbanos de países em desenvolvimento sofrem com o problema. Dados da ONU indicam que morrem no mundo 2000 pessoas por dia vítimas de armas de fogo. Deste total apenas 35% tiveram origem em conflitos armados de cunho político. A maioria é de civis, que tentavam levar suas vidas em áreas de risco.

Assim como a família da notícia abaixo, veiculada pelo Terra.

Eu fico muito triste de ler este tipo de notícia. Não triste “comercialmente”, mas humanamente. Esta família teve muita sorte e sobreviveram – mas se o carro fosse blindado, o problema teria sido evitado. Eu gosto muito de pensar que estou na INDÚSTRIA DA PROTEÇÃO. Que o serviço que fazemos salva vidas. A responsabilidade de controlar a violência é do poder público, da sociedade. A gente aparece pra atender uma necessidade que está aí, ela existe.

Desta vez, a sorte ajudou. Nem sempre se pode contar com ela.

Quem puder, blinde seu carro.

SP: menina de 20 dias sobrevive a capotamento após assalto
25 de agosto de 2010 09h52 atualizado às 09h56

Uma menina de apenas 20 dias e a mãe dela sobreviveram sem ferimentos a um acidente de trânsito em que o pai, baleado em tentativa de assalto, capotou o carro na zona norte de São Paulo. O acidente ocorreu quando o motorista tentou fugir de dois assaltantes, que atiraram no carro da família. As informações são do Bom Dia São Paulo.

O casal saía para entregar lanches no bairro Jaçanã quando foi surpreendido pelos suspeitos. O motorista se apavorou, deu um tranco no veículo e escutou cerca de seis a sete disparou na direção do carro. Desses disparou, três acertaram as costas dele. Mesmo baleado, o comerciante de 40 anos continuou a dirigir e, na altura da ponte Aricanduva, também zona norte, perdeu o controle da direção, invadiu o canteiro central e, segundo a polícia, capotou duas ou três vezes antes de bater em uma árvore. Do banco de trás, a menina foi arremessada pela janela e encontrada a cerca de 20 m do carro sem nenhum arranhão. O motorista foi levado para um pronto-socorro, passou por cirurgia, mas tem quadro estável. Assim como a menina, a mãe também já recebeu alta. Os dois assaltantes fugiram e, até por volta das 9h50, não haviam sido identificados.

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Redação Terra